Dona já pensa em reabrir clínica onde 36 passaram mal durante hemodiálise

A médica Alessandra Vitorino Naghettini, dona da Nefroclínica, onde 36 pacientes passaram mal durante uma sessão de hemodiálise, espera reabrir a unidade no próximo final de semana. O estabelecimento, localizado no Setor Jardim América, em Goiânia, está fechado e sendo avaliado pelas autoridades. Ela tem esperança na reabertura, mesmo a Vigilância Sanitária não deu prazo para a conclusão das análises.

“A gente avaliou a água, os insumos, soluções. Alguns exames preliminares já estão mostrando resultados negativos. A gente já sentou com a Vigilância Sanitária para estudar a melhor forma de retomar o atendimento. Acreditamos que isso acontece até o final da semana”, diz Alessandra.

Os pacientes passaram mal no último dia 5 de julho. Do total, seis seguem hospitalizados, um morreu e os demais pacientes já receberam alta e são acompanhados por equipes médicas após serem transferidos para outras clínicas.

A aposentada Irany Silvério da Silva, de 82 anos, foi uma delas. Moradora de Cromínia, a 100 km de Goiânia, ela faz hemodiálise há quatro anos e meio e diz que desmaiou após passar mal. “Comecei a tremer e avisei que estava sentindo mal. Aí não vi mais nada, eu fiquei inconsciente”, lembra a idosa.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a clínica foi atingida por um surto infeccioso. A suspeita é que ela tenha sido causada por uma bactéria.

Processo rigoroso
O presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia em Goiás, médico Ciro Bruno Silveira Costa, disse que o protocolo de segurança para realização de hemodiálise é muito rigoroso. A água usada, inclusive, é essencial nesse processo.

“Este cuidado começa desde a chegada de água na clínica até a higienização de cada equipamento. É um processo bastante amplo que envolve muitas pessoas e várias etapas que, no final, garantem um tratamento adequado aos pacientes”.

A Saneamento de Goiás S/A (Saneago) informou que fez duas análises da água que abastece a clínica e os laudos apontaram que a qualidade está dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde. A empresa ressaltou que não tem responsabilidade sobre os processos de tratamento e purificação para hemodiálise, que são feitos pelo hospital.

Morte
O idoso Fructuoso Ribeiro Rosa, de 84 anos, no entanto, morreu um dia após passar pelas sessões no local. Porém, ainda não foi divulgado o laudo com as causas da morte.

A esposa dele, Auta Soares Rosa, disse que ele passou muito mal enquanto fazia a hemodiálise, procedimento que filtra e limpa o sangue de pessoas com problemas nos rins.

“Eu falei: ‘doutora, o que está acontecendo com ele?’ Ele não para de tremer, [está] com as pernas duras e gritando de dor. Todo mundo [passando mal] de uma vez, daquele jeito, eu nunca tinha visto. Espero que os outros se recuperem e volte porque isso é muito triste”, lembra, emocionada.

Filho do idoso, Eder Soares Rosa diz que o pai piorou a situação clínica de um dia para o outro. “Ele deu entrada por volta de 1h da manhã, mais ou menos. No outro dia cedo, o médico já nos chamou dizendo do quadro que era gravíssimo. O que estava sendo feito era o que estava ao alcance deles, mas o quadro era grave”, pondera.

Saúde diz que infecção atingiu clínica de hemodiálise onde 36 passaram mal em Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
idoso morreu depois de fazer hemodiálise na clínica (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
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