Desempregados dizem que tiveram seguro sacado por terceiros em Goiás

 
 
 

Duas pessoas denunciam que tiveram parcelas do seguro-desemprego sacadas indevidamente por terceiros, em Goiás. Uma das vítimas mora em Catalão, na região sul, e a outra em Rio Verde, na região sudoeste. Ambas tiveram problemas na hora de receber o benefício e, ao procurar a Caixa Econômica Federal, foram informadas de que os valores já tinham sido retirados.

Uma das vítimas, que não quer se identificar, conta que sacou as duas primeiras parcelas do seguro, das cinco que tem direito. Porém, quando foi resgatar a terceira, teve uma surpresa desagradável. “Eu fui até a agência [da Caixa] e eles me informaram que uma pessoa havia sacado meu benefício”, relatou ela, destacando que o saque foi feito em um banco de Goiânia.

O chefe do Ministério do Trabalho e Emprego em Catalão, Aparício Flores, afirma que,
do início de novembro deste ano até quarta-feira (14), 13 pessoas procuraram a unidade para registrar queixas sobre saques indevidos. “A gente monta um processo, só que não temos previsão para esse ressarcimento”, disse.

O mesmo problema ocorreu com Jaqueline Lino, que mora em Rio Verde. Ela conta que tentou sacar o benefício em novembro passado a quarta parcela do seguro, mas também foi informada de que os valores já tinham sido pagos.

“Eu cheguei lá no banco e funcionária me disse que o meu dinheiro não estava disponível, pois já tinha sido sacado por outra pessoa, em Goiânia, por meio do Cartão Cidadão. Inclusive, eu nunca nem fiz esse cartão. Assim, não teve jeito de eu pegar o dinheiro, pois estava indisponível”, lembra.

A jovem afirma que contava com o seguro e que agora enfrenta dificuldades financeiras. “As contas não esperam, né”, lamentou.

Orientações
O superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego em Goiás, Degmar Pereira, diz que, por mês, são recebidas entre 30 e 40 reclamações sobre golpes em saques do seguro-desemprego no estado.

“O trabalhador que tiver esse problema deve procurar o ministério para montarmos uma situação de um recurso administrativo que nós chamamos de ‘negativa de recebimento’. O trabalhador então vai provar que ele não recebeu o seguro-desemprego e que ele foi vítima de uma fraude. Ao constatarmos essa realidade, investigarmos esse fato, o trabalhador então recebe aquele valor”, explicou.

Segundo Pereira, o prazo mínimo para que o trabalhador seja ressarcido é de seis meses. “Nós passamos por um processo de investigação, onde fazem parte a Polícia Federal, o Ministério do Trabalho e a Caixa Econômica Federal. Foi montada uma equipe nacional, que investiga, por meio da Secretaria Nacional de Políticas Públicas de Emprego, todas as fraudes em seguro-desemprego. Então, infelizmente o processo é demorado, tendo em vista que essas fraudes são apuradas em todo o país. Mas o trabalhador vai receber essa parcela que foi pega indevidamente”, garantiu.

O superintendente destacou que já foi identificado que, muitas vezes, as fraudes contam com a participação de agentes públicos. “Ou seja, os servidores envolvidos que têm acesso a essas informações sobre o trabalhador que deu entrada no seguro-desemprego passam esses dados para uma quadrilha. Então o trabalhador fica à mercê e não tem como se precaver de uma situação dessa. Mas o Ministério do Trabalho não está economizando esforços para que seja resolvido esse problema”.

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