Advogada diz que filha e namorado ‘foram torturados’ para confessar morte do DJ Quirino; delegado nega

A advogada Lorena Paixão nega que os adolescentes apreendidos pela morte de Elpídio Quirino dos Santos Filho, de 41 anos, conhecido como DJ Quirino, tenham envolvimento com o assassinato, ocorrido em Goiânia. Segundo a Polícia Civil, a garota, de 16 anos, que é filha da vítima, e o namorado, de 15, confessaram o homicídio. No entanto, a defensora afirmou ao G1 que eles só admitiram o ato infracional porque foram torturados. O delegado responsável pelo caso rebate a acusação.

De acordo com Lorena, os adolescentes são inocentes e a apreensão deles é “ilegal e nula”. Assim, ela afirma que já entrou com pedido de habeas corpus para que eles sejam soltos. Para ela, a ação da Polícia Civil ocorreu no intuito de encontrar um “bode expiatório” do caso e, para isso, foram usados métodos ilegais e violentos.

“Não existem provas. Os depoimentos foram obtidos sob tortura. Através de boatos, a polícia criou uma versão fantasiosa em cima disso. Não há provas. A Polícia Civil cometeu crime nesse inquérito. A busca, a qualquer custo, de um bode expiatório. O que estou falando eu tenho provas”, disse.

O caso foi apresentado pela polícia na segunda-feira (29). Segundo a investigação, a garota alegou que era vítima de ameaças e agressões do pai e, por isso, combinou o crime com o namorado, que realizou os disparos. Além deles, o jovem Franklin Vieira, de 25 anos, foi preso suspeito do crime. Ele nega envolvimento. Outro menor também é investigado, mas a Justiça não pediu a apreensão dele.

Na ocasião, o delegado Marco Aurélio Euzébio, responsável pelo caso, disse que o casal confessou participação no assassinato durante depoimento em abril, cinco meses após o crime. Porém, eles só foram apreendidos no dia 16 de maio, em Caldas Novas, no sul de Goiás, quando a Justiça expediu um mandado de internação provisória.

 
 
DJ Quirino foi morto a tiros na porta da casa da mãe, em Goiânia (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

DJ Quirino foi morto a tiros na porta da casa da mãe, em Goiânia (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

Lorena afirma que nas duas situações, o casal sofreu torturas diferentes. “No depoimento, foi tortura psicológica, com ameaças do tipo ‘se você não se entregar, você vai morrer, sua mãe vai ser presa’. Já no dia 16 foi tortura física. Tapas, socos, enforcamento, joelhada na cabeça, tudo isso teve”, afirma.

Além disso, nos dois casos, a advogada disse que os menores foram ouvidos sem a presença de advogados ou responsáveis, o que é contra a lei. Por isso, ela diz que entrou com uma representação no Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) contra o delegado e dois agentes, acusando-os de tortura.

Lorena nega ainda a informação apresentada pelo delegado de que a menor teria roubado R$ 5 mil do pai para que o namorado organizasse o crime, comprando um carro e uma arma.

Delegado rebate

Também ouvido pelo G1, o delegado Marco Aurélio Euzébio negou todas as acusações. Ele afirma que agiu dentro da legalidade no caso, disse que já apresentou defesa ao ao MP sobre as denúncia de irregularidades e desafiou a advogada: “Isso é uma mentira danada. Quero ver ela provar isso. Isso aí [denúncias de tortura] é invenção para conseguir a liberdade dos adolescentes”.

 

Delegado Marco Aurélio Euzebio informou que adolescente confessou ter mandando matar o pai (Foto: Sílvio Túlio/G1)Delegado Marco Aurélio Euzebio informou que adolescente confessou ter mandando matar o pai (Foto: Sílvio Túlio/G1)

Delegado Marco Aurélio Euzebio informou que adolescente confessou ter mandando matar o pai (Foto: Sílvio Túlio/G1)

Euzébio afirmou durante o depoimento em que confessou o homicídio, o casal estava sim acompanhado de familiares e de um advogado, que não era Lorena. Somente em dado momento é que a mãe da garota não esteve presente, mas ele explicou o motivo.

“A mãe dela estava na delegacia, mas não acompanhou o depoimento da filha porque, naquele momento, ela era investigada pelo crime também. Então tive que nomear um curador, pois era um caso específico”, explicou. No decorrer das investigações, a polícia considerou que ela a mãe não tinha participação no crime.

Já no momento da apreensão, o delegado disse que tudo também ocorreu dentro da normalidade. “Naquele dia, eles foram ouvidos novamente e foi nomeado um curador porque a advogada não estava na cidade e não teria como esperar, pois, no outro dia eles seriam apresentados ao Juizado de Menores. Para a minha investigação, eu teria que ouvi-los naquele momento”, pontua.

MP analisa

A representação contra o delegado foi feita no Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GCEAP). De acordo com o promotor de Justiça Leandro Murata, responsável pelo caso, o documento ainda está sendo analisado. Ele pediu às duas partes que apresentem documentos que comprovem suas teses para depois dar um parecer sobre o caso.

“É de praxe em casos desse tipo a gente reunir provas para verificar se houve ou não abuso. Se houve indício de alguma irregularidade, a pessoa citada pode responder a um procedimento. Se não, a representação é arquivada”, explicou ao G1.

Murata destacou ainda que, se as provas não forem satisfatórias, existe a possibilidade que as duas partes sejam chamadas para uma acareação a respeito do caso.

 
Segundo a polícia, filha confessou ser mandante do crime; defesa nega (Foto: Reprodução/Facebook)

Segundo a polícia, filha confessou ser mandante do crime; defesa nega (Foto: Reprodução/Facebook)

Crime

DJ Quirino foi assassinado no dia 25 de novembro do ano passado, em frente à casa da mãe, na Vila Boa Sorte, em Goiânia. Ele estava acompanhado da filha no momento em que foi atingido. Após atirar, o suspeito fugiu.

Após o crime, o delegado Ernane de Oliveira Cazer, que estava no local do homicídio, disse à TV Anhanguera que as informações preliminares apontavam que o criminoso se aproximou em um carro e anunciou assalto. Porém, amigos do DJ já suspeitavam que se tratava de uma execução pelo fato de não terem roubado nada de valor.

Além da adolescente apreendida pela suspeita de cometer o crime, Quirino deixou outra filha. Familiares contaram que ele trabalhava há mais de 10 anos como DJ e alugava equipamentos para outros profissionais. Segundo amigos, DJ Quirino estava prestes a inaugurar uma boate na capital.

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