Apesar de revés do Partido Conservador, Theresa May diz que vai formar novo governo

Após se encontrar com a rainha Elizabeth II, a primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou na manhã desta sexta-feira (9) que vai formar um novo governo apesar do revés do Partido Conservador nas eleições legislativas. Em pronunciamento em frente a sua residência oficial, em Downing Street, ela anunciou ter conseguido o apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte para formar um governo de coalizão.

A votação, realizada na quinta-feira (8), que foi convocada por May, terminou com os conservadores à frente, porém com uma bancada menor. Os conservadores, liderados pela primeira-ministra britânica, tinham 330 assentos no Parlamento e conseguiram até agora 318. O Partido Unionista conseguiu 10 cadeiras e os trabalhistas, por sua vez, surpreenderam obtendo 261 assentos. Por volta de 10h (no Brasil) desta sexta, restava a definir apenas uma vaga.

Esse resultado obrigou os conservadores a formar uma coalizão para garantir a governabilidade. Com o novo aliado, May consegue o apoio 328 parlamentares, o que garantiria a sua governabilidade.

Após o fraco desempenho do Partido Conservador, May enfrentou pedidos para que renunciasse da parte do líder da oposição e sofreu a pressão de integrantes do seu partido, mas descartou a possibilidade de deixar o poder.

A premiê afirmou que pode confiar no parlamento e no apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte a quem chamou de “amigos”. “Nossos dois partidos têm cultivado uma forte relação durante muitos anos. Isso me dá a confiança para acreditar que conseguiremos trabalhar juntos nos interesses de todo o Reino Unido.”

Foco no Brexit

A premiê declarou que as energias do país precisam ser canalizadas para um acordo de sucesso na saída do Reino Unido da União Europeia, processo que ficou conhecido popularmente como Brexit. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, cumprimentou May pela vitória e pediu agilidade no início das conversas para a saída do Reino Unido da União Europeia.

“O acordo [com os unionistas] vai nos permitir trabalhar juntos como um país e canalizar nossas energias rumo a um acordo de sucesso para o Brexit, que funcione para todos nesse país, e assegure uma nova parceria com a União Europeia, que garanta nossa prosperidade a longo prazo. Foi para isso que as pessoas votaram em junho, e é isso que vamos fazer”, afirmou.

“Agora ao trabalho”, declarou ao encerrar o seu pronunciamento.

 
Manifestante anti-governo usa máscara da premiê Theresa May  (Foto: REUTERS/Marko Djurica)

Manifestante anti-governo usa máscara da premiê Theresa May (Foto: REUTERS/Marko Djurica)

Campanha

May antecipou a realização das eleições, que poderiam ter ocorrido em algum outro momento até 2020, com o objetivo de obter a legitimidade que ela necessita para aprovar um modelo de Brexit, que ficou conhecido como “hard”, que prevê a retirada completa da União Europeia. Com esse perfil de acordo, a Grã-Bretanha perderia os privilégios econômicos e se tornaria um parceiro comercial comum do bloco europeu, sujeito a taxas mais altas e condições mais árduas.

Seus opositores defendem o “soft” Brexit, que seria a saída amplamente negociada com a manutenção de privilégios – proposta que encontra resistência entre os países europeus. “May fez um arriscado jogo político do qual saiu derrotada”, diz a editora de política da BBC Laura Kuenssberg.

Em abril, quando convocou as eleições, o Partido Conservador tinha mais de 20 pontos percentuais de vantagem com relação ao Partido Trabalhista, sob liderança de Jeremy Corbyn. Porém, ao longo da campanha, a queda de popularidade foi motivada por diferentes fatores.

Ela anunciou um polêmico plano para cobrar de famílias custos com cuidados domiciliares de idosos. A medida que afeta familiares de pacientes de doenças degenerativas foi batizada de “taxa de demência” e foi retirada do plano de governo após ser alvo de violentas críticas.

Os atentados terroristas de Manchester (22 de maio) e Londres (3 de junho) também fizeram com que o debate em torno da segurança pública tomasse uma maior amplitude. May foi criticada por sucessivos cortes nas forças policiais aplicados pelo governo conservador em que ela foi ministra do Interior, entre 2010 e 2016. May defendeu a polícia e se recusou a participar de um debate televisivo. Na defensiva, o partido conservador foi paulatinamente recuando nas intenções de voto.

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